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3 de jan. de 2013

abandonados



eles estão por ai
encardidos, rasgados e certamente tomados por cupins.
parecem esperar por alguém,
cansados e tristes,
desistentes,
desistidos de sua beleza e utilidade,
substituídos por outro modelo moderno qualquer.


eles estão por ai.
esquinas
terrenos
beiras de estrada
boiando numa poça...

e eu quero abraçá-los.



(Este estava no litoral, em Atlântida Sul. Este eu levaria pra casa)

10 de jul. de 2012

O lixo de outro


Dia desses, indo para a casa da minha mãe, avistei uma criança com seu gato branco jogados numa pilha de lixo, num terreno baldio daqueles que abriga gerações de sofás, restos de casas demolidas, sacolas que deveriam ter sido deixadas ao alcance do caminhão de lixo, etc.
Tremi, mas não o resgatei.
No mesmo dia, passando de carro por aquele caminho, pedi que o marido parasse e esperasse um pouco, pois eu precisava pegá-lo. Como uma criança arteira, corri no escuro. Encontrei-o e sorridente voltei para o carro com aquele enorme quadro debaixo do braço. É meu e de mais ninguém!

O lixo de outro, hoje é meu encanto de cores desgastadas, manchas e sujeiras aparentes.
É o tempo, que mais uma vez age... leva de uns e traz para outros, com valor renovado.











1 de mai. de 2012

acúmulos

    


            

           


O acúmulo está gritando.
Gente empilhada em pequenos blocos de cimento, como eu;
Problemas mal resolvidos sendo empilhados, dia após dia;
O lixo empilhado em montanhas, jogado pelas janelas, fedendo e entupindo o mundo.

Crianças e animais nascem incessantemente, pra vagar pelas ruas..
e as gavetas dos cemitérios, tristes, me lembram também os prédios.
Pensamentos, ideias, sonhos, guardados numa caixa,
e os papeis de uma vida inteira ocupam praticamente mais espaço que a gente dentro de casa.
Histórias e sentimentos acumulados durante anos, levados nos bolsos dos casacos, em transportes públicos lotados, até o trabalho.

Conhecimento, sujeira, suspiros... 
Acumulamos o tempo na vida e assim ela se faz.